domingo, 3 de março de 2013

Catecismo - Parte XIX



ARTIGO 6

"JESUS SUBIU AOS CÉUS, ESTÁ SENTADO À DIREITA DE DEUS PAI TODO-PODEROSO"


                              659) "E o Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus" (Mc 9). O corpo de Cristo foi glorificado desde o instante de sua Ressurreição, como provam as propriedades novas e sobrenaturais de que desfruta a partir de agora seu corpo em caráter permanente (Lc 24, 31; Jo 20,19.26). Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com seus discípulos (At 10, 41) e instruí-los sobre o Reino (At 1, 3), Sua glória permanece ainda velada sob os traços de uma humanidade comum (Mc 16, 12; Lc 24, 15; Jo 20, 14-15; 21, 4). A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível de sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem (At 1, 9; cf. também Lc 9, 34-35; Ex 13, 22) e pelo céu (Lc 24, 51) onde já está desde agora sentado à direita de Deus (Mc 16, 19; At 2, 33; 7, 56; cf. também Sl 110, 1). Só de modo totalmente excepcional e único Ele se mostrará a Paulo, a este "como a um abortivo", (1 Cor 15,8) em uma última aparição que o constitui apóstolo (1 Cor 9, 1; Ga 1, 16).

                              660) O caráter velado da glória do Ressuscitado durante esse tempo transparece em sua palavra misteriosa a Maria Madalena "Ainda não subi para o Pai. Mas vai aos meus irmãos e dizer-lhes que Eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus" (Jo 20,17). Isso indica uma diferença de manifestação entre a glória de Cristo ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento ao mesmo tempo histórico e transcendente da Ascensão marca a transição de uma para a outra.

                              661) Esta última etapa permanece intimamente unida à primeira, isto é, à descida do Céu realizada na Encarnação. Só aquele que "saiu do Pai" pode "retornar ao Pai": Cristo (Jo 16, 28). "Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13; Ef 4, 8-10). Entregue a suas forças naturais, a humanidade não tem acesso à "Casa do Pai" (Jo 14,2), à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo pôde abrir esta porta ao homem, "de sorte que nós, seus membros, tenhamos a esperança de encontrá-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu".



                              662) "E eu, quando for elevado da terra, atrairei todos os homens a mim" (Jo 12,32). A elevação na Cruz significa e anuncia a elevação da Ascensão ao céu. É o começo dela. Jesus Cristo, o Único Sacerdote da nova e eterna Aliança, não "entrou em um santuário feito por mão de homem... e sim no próprio Céu, a fim de comparecer agora diante da face de Deus a nosso favor" (Hb 9,24). No Céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio, "por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles" (Hb 7,25). Como "sumo sacerdote dos bens vindouros" (Hb 9,11), ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus (Ap 4, 6-11).

                              663) A partir de agora, Cristo está sentado à direita do Pai: Por direita do Pai, entendemos a glória e a honra da divindade, onde aquele que já existia junto do Pai como Filho de Deus (como Deus e consubstancial ao Pai), antes da existência de todos os séculos, depois de encarnar-se e de sua carne ser glorificada se sentou corporalmente (em sua humanidade, à direita do Pai (S. João Damasceno, com tradução livre do blogueiro).

                              664) O "sentar-se à direita do Pai" significa a inauguração do Reino do Messias, realização da visão do profeta Daniel no tocante ao Filho do Homem: "A Ele foram outorgados o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o servirão. Seu império é um império eterno que jamais passará, e seu reino jamais será destruído" (Dn 7,14). A partir desse momento, os apóstolos se tornaram as testemunhas do "Reino que não terá fim" (Simbolo Niceno-Constantinopolitano).


RESUMINDO

                              665) A ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, donde voltará (At 1, 11), mas que até lá o esconde aos olhos dos homens (Cl 3, 3).

                              666) Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, nos precede no Reino glorioso do Pai para que nós, desde que membros de seu Corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele.

                              667) Tendo entrado de uma vez por todas no santuário do Céu (ou seja, de corpo, alma e espírito), Jesus Cristo intercede sem cessar por nós, como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.


ARTIGO 7

“DONDE VIRÁ PARA JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS"

I. Ele voltará na glória

CRISTO JÁ REINA PELA IGREJA...

                              668) "Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos" (Rm 14,9). A Ascensão de Cristo ao Céu significa sua participação, também em sua humanidade, no poder e na autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: possui todo poder nos Céus e na terra. Está "acima de toda autoridade, poder, potestade e soberania", pois o Pai "tudo submeteu a seus pés" (Ef 1,20-22). Cristo é o Senhor do cosmo (Ef 4, 10; 1 Cor 15, 24. 27-28) e da história. Nele, a história do homem e mesmo toda a criação encontram sua "recapitulação" (Ef 1, 10) e sua consumação transcendente.

                              669) Como Senhor, Cristo é também a cabeça da Igreja, que, por sua vez, é o seu Corpo (Ef 1, 22). Elevado ao Céu e glorificado, tendo assim cumprido plenamente Sua missão, Ele permanece na terra, em sua Igreja. A redenção é a fonte da autoridade que Cristo, em Virtude do Espírito Santo, exerce sobre a Igreja. O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja, germe e início deste Reino na terra (Lumen gentium; Constituição; Vaticano II).

                              670) Desde a Ascensão de Cristo, o desígnio de Deus entrou em Sua consumação. Já estamos na "última hora" (1Jo 2,18; 1 Pd 4, 7). Portanto, a Era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra. Pois, já na terra, a Igreja se reveste de verdadeira santidade, embora imperfeita. O Reino de Cristo já manifesta sua presença pelos sinais milagrosos (Mc 16, 17-18) que acompanham seu anúncio pela Igreja (Mc 16, 20).


À ESPERA DE QUE TUDO LHE SEJA SUBMETIDO

                              671) Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21, 17; Mt 25, 31) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus (2 Ts 2, 7), embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a Ele (1 Cor 15, 28), enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a Justiça, a Igreja-peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto, até o presente, e aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Por esse motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia (1 Cor 11, 26), para apressar a volta de Cristo (2 Pd 3, 11), dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 17. 20; Ap 22,20).

                              672) Cristo afirmou, antes de Sua Ascensão, que ainda não chegara a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel (At 1, 6-7), que deveria trazer a todos os homens, segundo os profetas (Is 11, 1-9) a ordem definitiva da Justiça, do Amor e da Paz. O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho (At 1, 8), mas é também um tempo ainda marcado pela "tristeza" (1 Cor 7, 26) e pela provação do mal (Ef 5, 16), que não poupa a Igreja (1 Pd 4, 17) e inaugura os combates dos últimos dias (1 Jo 2, 18; 4, 3; 1 Tm 4, 1). É um tempo de expectativa e de vigília (Mt 25, 1. 13; Mc 13, 33-37).



O ADVENTO GLORIOSO DE CRISTO, ESPERANÇA DE ISRAEL

                              673) A partir da Ascensão de Jesus, o advento de Cristo na glória é iminente (Ap 22, 20), embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7; Mc 13, 32). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento (Mt 24, 44; 1 Ts 5, 2), ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo (2 Ts 2, 3-12).

                              674) A vinda do Messias glorioso depende a todo momento da história (Rm 11, 31) do reconhecimento Dele por "todo Israel" (Rm 11, 26; Mt 23, 39). Uma parte desse Israel se "endureceu" (Rm 5) na "incredulidade" (Rm 11,20) para com Jesus. São Pedro o afirma aos judeus de Jerusalém depois de Pentecostes: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados e, deste modo, venham da face do Senhor os tempos de refrigério. Então enviará Ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, a quem o Céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de seus santos profetas" (At 3,19-21). E São Paulo lhe faz eco: "Se a rejeição deles resultou na reconciliação do mundo, o que será o acolhimento deles senão a vida que vem dos mortos?" (Rm 11, 15) A entrada da "plenitude dos judeus" (Rm 11, 12) na salvação messiânica, depois da "plenitude dos pagãos" (Rm 11, 25; cf. Lc 21, 24), dará ao Povo de Deus a possibilidade de "realizar a plenitude de Cristo" (Ef 4, 13), na qual "Deus será tudo em todos" (1Cor 15,28).



A PROVAÇÃO DERRADEIRA DA IGREJA

                              675) Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (Lc 18, 8; Mt 24, 12). A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (Lc 21, 12; Jn 15, 19-20) desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a Si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne (2 Th 2, 4-12; 1 Th 5, 2-3; 2 Jn 7; 1 Jn 2, 18. 22).

                              676) Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realiza-se para além dela, por meio do juízo escatológico: mesmo em sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de milenarismo, sobretudo sob a forma política de um messianismo secularizado, "intrinsecamente perverso".

                              677) A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em Sua Morte e Ressurreição (Ap 19, 1-9). Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja (Ap 13, 8), segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal (Ap 20, 7-10), que fará Sua "Esposa" descer do Céu (Ap 21, 2-4). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final (Ap 20, 12) depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa (2 Pd 3, 12-13).


II. Para julgar os vivos e os mortos

                              678) Na linha dos profetas (Dn 7, 10; Jl 3-4; Ml 3, 19) e de João Batista (Mt 3, 7-12), Jesus anunciou em sua pregação o Juízo do último Dia. Então será revelada a conduta de cada um (Mc 12,38-40) e o segredo dos corações (Lc 12, 1-3; Jo 3, 20-21; Rm 2, 16; 1 Cor 4, 5). Será também condenada a incredulidade culpada que fez pouco caso da Graça oferecida por Deus (Mt 11, 20-24; 12, 41-42). A atitude em relação ao próximo revelará o acolhimento ou a recusa da Graça e do Amor Divino (Mt 5, 22; 7, 1-5). Jesus dirá no último Dia: "Cada vez que o fizestes a um desses Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes" (Mt 25,40).

                              679) Cristo é Senhor da Vida Eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence a Ele enquanto Redentor do mundo. Ele "adquiriu" este direito por sua Cruz. O Pai entregou "todo o julgamento ao Filho" (Jo 5,22; Jo 5, 27; Mt 25, 31; At 10, 42; 17, 31; 2 Tm 4, 1). Tendo o direito divino de julgar, contudo, o Filho não veio para julgar, mas para salvar (Jo 3, 17) e para dar a Vida que está Nele (Jo 5, 26). Portanto, tendo Jesus Cristo nos dado a Sua Vida para a nossa salvação, é pela recusa da Graça nesta Vida que cada um já se julga a si mesmo (Jo 3, 18; 12, 48), recebe de acordo com suas obras (1 Cor 3, 12-15) e pode até condenar-se para a eternidade ao recusar o Espírito de Amor (Mt 12, 32; Hb 6, 4-6; 10, 26-31).


RESUMINDO

                              680) Cristo Senhor já reina pela Igreja (porque venceu a Morte, o maior dos inimigos), mas ainda não Lhe estão submetidas todas as "coisas deste mundo". O triunfo do Reino de Cristo não se dará sem uma última investida das potências do mal.

                              681) No dia do juízo, por ocasião do fim do mundo, Cristo "voltará" na glória para realizar o triunfo definitivo dos bons sobre o maus, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos ao longo da história.



                              682) Ao vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um, segundo suas obras e na proporção em que tiver acolhido ou rejeitado Sua Graça.



(Nova Jerusalém - Adriana)

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